Sentada no meu lugar no ônibus,
avistava mil faces, todas elas esquecidas no instante seguinte. Todas pareciam
iguais, faces do anonimato.
Até que me deparo com uma ruiva.
Ruiva legítima, daquelas altas, fortes e cheia de sardas, Para onde quer que eu
olhasse uma explosão de sardas, rosto, pescoço, braços, pernas. A pele era
quase um único tom avermelhado.
E os olhos verdes... Sempre
assustados, envergonhados, como se fosse impossível se esconder. E era.
Não sei sobre os outros tantos
passageiros do ônibus, mas sempre que meus olhos buscavam algo para ver, era
para a ruiva que eles se voltavam inevitavelmente.
Tenho minhas dúvidas sobre a que tipo de revolta Clarisse se referia, mas é inegável a incapacidade de se
esconder um ruivo. Tudo te acusa e todos são testemunhas.